Review - Nuklear Infektion - "Weapons Of Massive Genocide"


Depois de percorrerem Lisboa de uma ponta a outra com concertos, alguns deles bastante bem compostos, os Thrashers Portugueses Nuklear Infektion, brindam todos os fãs de Thrash com este EP de estreia que é sem duvida um "coelho tirado da cartola".

A verdade é que já não há muito por onde inovar, também é verdade que este EP não traz nenhum truque de renovação ao som que se praticava nos finais dos anos 70 e inícios dos anos 80, mas o que aqui temos é pura mística, pura magia, estes 5 jovens sentem o Thrash como se tivessem vivido nas décadas do seu auge e essa é sem dúvida a fórmula secreta deste primeiro registo.

Uma introdução que denuncia desde logo o que aí vem ... uma entrada num clima de guerra onde balas são disparadas em todas as direcções, esta intro consegue levar o ouvinte a recuar no tempo para um daqueles climas de 2ª Guerra Mundial, não podia começar de uma melhor forma este EP.

Após o fim da pequena introdução começam a soltar-se os primeiros riffs do primeiro hino deste EP, falo pois de "Weapons Of Massive Genocide". A faixa-título é composta por riffs furiosos a uma velocidade alucinante, a bateria desempenha um papel importantíssimo e verdade seja dita ... temos aqui um baterista que sabe o que está a fazer.

O amadurecimento da voz tornou o som destes Nuklear Infektion mais potente, furioso e acima de tudo consistente, faz lembrar as velhas relíquias de quem reinava o Thrash na altura do seu auge.

"Preachers Of Lies" é a segunda faixa, a raiva é completamente descarregada em cima dos instrumentos.
Um refrão que entra bem rápido no ouvido e esta é daquelas faixas que ao vivo deverá roçar a perfeição. Também de destacar o groove a meio da música onde o baixo se destaca pela positiva num momento a lembrar as grandes malhas de Slayer !!

A terceira música é a já conhecida "We're On Command" ... foi uma faixa que atraiu bastante gente aos concertos da banda antes do lançamento deste EP não só porque era a primeira faixa original destes Nuklear Infektion mas também porque trazia já um pouco daquela magia do Old-School.

Agora estamos perante um melhoramento da faixa. O som da banda transpira Old-School não só pelo trabalho instrumental/vocal, mas também pela maneira como foi gravado e produzido pelos elementos da banda.

"Progress'Holocaust" é a quarta e penúltima faixa deste primeiro lançamento em formato físico, mais um conjunto de riffs bem trabalhados e bem compostos, à boa maneira de Nuklear Infektion a velocidade não para de aumentar e o melhor está mesmo guardado para o fim.

Assim chegamos à ultima faixa, que é para nós a melhor deste EP ... é a descarga final.
Os coros gritantes, os solos furiosos o ritmo infernal ... é o tudo por tudo para acabar da melhor forma e sem dúvida o objectivo foi cumprido.

Falo pois de "The Dark Passenger", são quase 4 minutos de uma descarga de solos genial, soltam-se a todo o momento, coros anunciam as palavras de ordem - " THE DARK PASSENGER !! ".

Este é sem dúvida um dos melhores momentos do EP que arrecada uma nota bastante positiva.

Acompanhem a banda nos concertos de apresentação de "Weapons Of Massive Genocide" e comprem-no, pois ai sim poderão ter uma melhor ideia daquilo que estive aqui a falar.


    Nota - 8,7/10



 

Review - Dreadfire - "Face The Storm"


Os Dreadfire são uma banda de Thrash Metal oriunda de Lisboa, este primeiro registo transborda bons groove's capazes de deixar o ouvinte completamente colado à sonoridade destes 5 jovens.
"Face The Storm" é o nome deste EP que recebe hoje a nossa critica ...


Este EP tem uma intro ("Revelation") digna de uma grande banda (talvez uma das melhores introduções que ouvi num EP de Thrash Português) e é sem dúvida um dos pontos fortes deste primeiro registo dos Portugueses Dreadfire.

A primeira faixa "Face The Storm" é do inicio ao fim uma descarga abismal de Thrash Metal com o habitual Blast Beat a dar ritmo a uma música que transborda bons riffs. Também há que destacar aqui o poder vocal de Matt que acaba por surpreender já que na maior parte dos lançamentos de Thrash Metal temos uma voz mais virada para o agudo, aqui acaba por nos surpreender esta voz mais grave e poderosa a lembrar uns Machine Head.

"Light The March" dá seguimento à descarga anteriormente referida, a bateria de Alex Marques volta a ter um papel importante que acaba por dar um ritmo renovado ao que se ouve nos dias de hoje e que se considera Thrash Metal, no entanto esta é a faixa onde se nota alguma inferioridade para com as restantes.

Chegamos até "New Ground" e esta é para nós a grande faixa deste EP, a entrada cheia de Groove com as guitarras a desempenharem um papel muito importante em toda a música. É uma faixa cheia de energia tal como todo o EP mas é nesta que se destacam os melhores momentos de guitarra com bons solos a serem disparados a todo o instante e com um refrão bastante cativante (o melhor do EP).

O EP termina com a faixa "Raised On Deceit" uma entrada mais lenta já em forma de despedida mas que acaba por ganhar velocidade e agressividade ao longo da música, uma faixa consistente que termina com um habitual grito gutural de Matt.

Este EP acaba por tornar-se uma grande viagem num som bastante renovado mas de claro Thrash Metal onde podemos encontrar bons momentos a lembrar bandas como Machine Head ou LOG. Mais um bom registo lançado por uma banda Portuguesa capaz de dar cartas no futuro mas que ainda pode evoluir e tornar mais consistente o seu som.

De destacar o trabalho de gravação/produção por Tiago Mesquita - Página de Facebook

Nota - 7,3/10


 

Review - Miss Cadaver - "Morte ao Fado"


Cerca de um ano após o lançamento da primeira Demo os Miss Cadaver brindaram o povo português com este trabalho épico "Morte ao Fado" ... um conjunto de faixas com mensagens umas atrás das outras directamente para quem as quer ouvir. Este mesmo trabalho recebe hoje a nossa critica ...

Este trabalho é nada mais nada menos que um pontapé na actual situação do nosso país, sem medos de falar sem tretas estes Miss Cadaver expressaram-se intensamente através de "Morte ao Fado".

De referir a notória progressão na música dos Miss Cadaver, após o lançamento da Demo e até ao lançamento deste "Morte ao Fado" a banda teve uma evolução enorme a nível vocal, instrumental e até na composição lírica dos temas.

Do inicio ao fim há velocidade, agressividade tanto instrumental como vocal o que torna este registo um dos grandes lançamentos a nível nacional.

As influências de estilos como o Death, o Punk e até o Crust, que podemos encontrar em bandas como Napalm Death ou Doom.

Este registo inicia-se com uma introdução bastante curiosa que apresenta a banda e aquilo que está para vir.

Avança-se curto e grosso para a faixa "Amália" e de seguida "CA-MO-RRA" , ora bem a faixa "Amália" tem pouco mais de 5 segundos mas é bem directa na observação que faz à dita cuja (Risos), depois como referi temos "Ca-mo-rra" aquela batida característica de bandas como Napalm Death junta-se a uma letra grosseira que retrata os "ladrões deste país" e também a força que o povo pode ter contra esses tais "ladrões".

Mais uma faixa pequena e directa, falamos de "Amen" ... onde a palavra de ordem é - "P#TA QUE OS PARIU".

"Abismo" é a 5ª faixa deste fabuloso registo dos Miss Cadáver, estamos perante uma das melhores faixas deste trabalho tanto a nível instrumental como lírico. Esta faixa retrata a realidade do nosso país que é cada vez mais um "ABISMO !".

 Depois do grande momento que é "Abismo" aparece-nos a faixa "Jogo Sujo" mais um Blast Beat dos diabos junto a uns riffs que propõem um bom headbang, isto sem esquecer o nível lírico da mesma que é também forte e directo.

E não há cá baixas de ritmo, agressividade ... NADA ! estamos perante mais uma grande faixa "Virus", um refrão muito cativante e dá para apostar que ninguém ficará indiferente se o ouvir.

"Plasmagórico" é uma faixa bem Thrashy a lembrar a primeira demo de Miss Cadáver, uma faixa para descontrair porque o que vem de seguida não vai dar oportunidade para parar.

E eis que nos aparece a faixa "Rattvs Velhus" pelo nome podem não chegar lá mas esta faixa retrata aqueles que são os mais velhos nestas andanças da corrupção, a palavra de ordem é "RATOS VELHOS!!".

Eis que chegamos a "Justiça Azul" e nada melhor que o título para explicar-mos do que fala esta faixa onde a bateria continua a debitar uma velocidade/agressividade dos diabos e a guitarra continua a explodir com uns riffs também eles agressivos, esta faixa é nada mais nada menos que um comentário(zinho) à dita justiça no nosso país.

E em pouco tempo chegamos à grande faixa que é "Mundo Infinito" e mais uma vez soltam-se palavras bem realistas sobre o futuro, ou melhor dizendo - "FUTURO ... NÃO HÁ !!!!".

Ultima faixa deste registo de Miss Cadáver que é nada mais nada menos que um discurso de Vasco Santana "Contra o Fado" que foi retirado de "A canção de Lisboa", no entanto foi-lhe adicionada uma batida forte e rápida, não podiam faltar aqueles riffs que os Miss Cadáver nos vêm a habituar.

Esta cassete não continha só estas 12 faixas, tinha um bónus que era uma bela cover de uma faixa de Doom "Phobia For Change" onde a parte lírica foi adaptada. E também tínhamos as faixas da Demo de 2010 presentes neste registo em formato TAPE.

Esta review é uma daquelas em que temos de olhar mais para o lado lírico do registo porque é aí que está o segredo destes Miss Cadáver, talvez dos melhores trabalhos a nível lírico algumas vez feitos no nosso país.
Recomendamos todos os leitores a ouvirem este enorme registo.

Queremos agradecer aos Miss Cadáver por nos terem dado a possibilidade de deixarmos a nossa critica a este fabuloso trabalho.
Nota - 8,9/10





 

Review - All Splintered Memories - "Love In The Animal Kingdom"




Estamos de volta às reviews com este EP dos All Splintered Memories, é sem dúvida um projecto com influências dos mais variados estilos, entre eles o Pop-Punk e também a Electrónica. 
É sem dúvida mais um trabalho que apresenta alguma variedade no som praticado em Portugal, mas que ainda tem um bom caminho a percorrer ...

Este EP é composto por uma intro e quatro faixas, em todas elas se nota uma variedade de estilos e influências capazes de atrair tanto o fã de um Metal mais "suave" como um fã de electrónica.

O EP inicia-se com a intro Love in the Animal Kingdom, a um som de fundo junta-se uma batida que dá inicio a um desfilar de temas de Pop-Punk cativante para os apreciadores do género.

Em primeiro lugar temos a faixa "Hold.Your.Breath" onde sentimos logo aqui uma variedade de estilos bastante cativante, a um instrumental não muito agressivo junta-se a voz suave de Ana Beatriz Hilário que ao longo da música recebe a junção de uns back vocals a lembrar o bom hardcore. A faixa desenvolve-se muito à volta desta junção da voz feminina com os back vocals agressivos que tornam a música interessante e cativante.

"You, Bi[A]tch" é a segunda música deste EP e aqui pratica-se um som onde se mistura o Punk e o Pop, mais uma vez os back vocals desempenham um papel importante, digamos que é um aditivo extra ao som praticado pela banda.

A faltarem apenas duas faixas o saldo deste EP é positivo, mas vale a pena referir que nem todos os ouvintes podem considerar o som praticado pela banda de Metal, já que as maiores influências da mesma são bandas como Blink 182 ou Eyes Set To Kill ...

A terceira e penúltima faixa é " They can't beat You" e não existe muita variação para com as músicas anteriores, de realçar no entanto o solo de guitarra que se inicia aos 2 minutos e se prolonga por alguns segundos e desempenha também ele um papel importante já que nesta faixa os back vocals foram deixados de lado.

"You'll be proud of me...I promise 2.0" foi a faixa escolhida para desempenhar o papel conclusivo deste EP, também não se descola muito das restantes faixas mas vale a pena destacar a utilização de sintetizadores e efeitos durante grande parte da faixa que trazem aqui uma vertente mais electrónica.

Este EP é o primeiro lançamento de uma banda que ainda pode evoluir bastante, as faixas giram um pouco à volta do mesmo o que torna este registo algo repetitivo, no entanto o saldo é positivo e ficamos à espera de novas músicas desta banda Portuguesa.

No entanto temos de destacar o trabalho de gravação por parte de Tiago Mesquita, podem visitar a página de facebook - AQUI

Nota - 6,2/10